terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Encontros e Desencontros

Diariamente somos surpreendidos com inúmeros encontros. Alguns são fortuítos e efêmeros. Estes são logo esquecidos, pois nada têm a nos acrescentar. Todavia, há aqueles que deixam marcas indeléveis na alma e podem afetar de maneira permanente a nossa existência.
Esta é a geração dos encontros parciais e da satisfação momentânea: não é a pessoa inteira que é buscada, gosta-se de um aspecto, de um "pedaço" do outro. Não é sem motivo que se enfastia tão rapidamente.
De igual modo muitos passaram por Cristo, ouviram-no, mas poucos de fato o encontraram. Creio que foi Agostinho quem disse: "Procurei a Deus e não o encontrei, busquei o meu irmão e nós três nos encontramos". Não é interessante que Jesus ensina aos que desejam a sua presença, para que reúnam "dois ou três" e ali Ele estaria? (MT18.20).
Espiritualidade solitária é uma falácia que o Diabo colocou na vida do cristão. Diz ele: "separe-se para buscar a Deus", ou então: "estes irmãos são inadequados pra você".
Não é incomum encontrar pessoas ou grupos de cristãos que se fecharam hemeticamente. Essa é uma maneira de exprimir o medo, pois para haver um encontro é necessário estar pronto a receber, a dar, e ser "modificavel".
Os outros são espelhos em quem refletimos, e Deus os colocou em nossas vidas para nos ajudar a entender "quem" somos.
Gostemos ou não, a vida também trazos seus desencontros, pois não somos um rio tranquilo a correr em seu leito, mas o resultado de forças interiores em constante conflito. Quem busca crescimento deveria portar uma placa: "Tenham paciência, estou em reforma".
A Bíblia está  repleta de encontros e desencontros. Desde cedo ficou clara as incompatibilidades entre Esaú e Jacó, ao ponto de Esaú ter prometido matar o irmão. Entretanto, é um momento muito sublime o reencontro entre eles, quando tudo apontava para um despecho trágico.
Ao avistar Jacó ao longe, ao invés de matá-lo..."Esaú correu ao encontro de Jacó e o abraçou: arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou, e choraram" (GN33.4).
O casamento de Davi com Mical, por exemplo, foi um constante desencontro, embora privassem do mesmo leito, o que indica que a intimidade física pode ser um dos componentes de um encontro autêntico, mas sozinha nçao o sustenta.
Talvez o desencontro mais exemplar que vemos no Novo Testamento seja entre Paulo e João Marcos. Numa viagem missionária este abandonara a missão pela metade, comprometendo o trabalho. Tempos depois Paulo preparava um segunda viagem. Barnabé chama João Marcos para ir, mas Paulo diz: "não vai não"(AT15.39).
Onde encontramos novamente menção daquele jovem? Cerca de vinte anos depois. Paulo em sua cela, abandonado por todos, pede para Timóteo buscar João Marcos, "porque me é muito útil para o ministério" (IITM4.11). Nenhum desencontro precisa ficar exposto por toda vida.
A fé em Cristo nos leva ao encontro entre os diferentes, e não apenas entre os iguais, "pois em Cristo já não faz mais sentido haver separação entre Grego e Judeu, homem e mulher, escravo ou livre, ou qualquer outra forma de distinção".
Mas uma advertência se faz necessária: um encontro genuíno só pode ocorrer entre corações abertos e transparentes, como demonstrou o rei Jeú para Jonadabe: "Tens tu sincero o coração para comigo, como o meu o é para contigo? Respondeu Jonadabe: Tenho. Então, se tens, dá-me a mão" (IIRS10.15)

De: Pr. Daniel Rocha (Revista Conexão)